Remote Configuration com Spring Cloud Config

O Spring provê uma forma bem maneira de lidar com os configurações em nossos projetos, através do arquivo application.properties ou application.yml.

Com eles temos o conceito de profiles, que resolve o problema de termos configurações diferentes para ambientes diferentes.

Como, por exemplo se, precisarmos nos conectar à um banco de dados diferente dependendo do ambiente que estivermos utilizando (produção, desenvolvimento, homologação).

Podemos atender essa necessidade configurando uma conexão especifica para cada profile:

Utilizando application.properties

Quando trabalhamos com arquivos .properties temos que ter um arquivo para cada profile com o seguinte padrão para o nome:
application-“nome do profile”.properties.

Como nosso caso temos três ambientes (produção, desenvolvimento e homologação). Teremos três arquivos:

application-production.properties


spring.datasource.username=application-user
spring.datasource.password=x123XASD&1
spring.datasource.url=jdbc:mysql://servidor-em-algum-lugar-do-mundo/bancoDeDadosOficial

application-development.properties


spring.datasource.username=root
spring.datasource.password=
spring.datasource.url=jdbc:mysql://localhost/bancoDeDados

application-acceptence.properties


spring.datasource.username=another-user
spring.datasource.password=123accepteence
spring.datasource.url=jdbc:mysql://localhost/bancoDeDados

Utilizando application.yml

Quando estamos trabalhando com arquivos .yml podemos ter um unico arquivo e dentro dele separar os profiles utilizando a sintaxe do próprio formato YAML.


#isso indica um novo arquivo
--- 
spring:
    profiles: production
    datasource:
        username: application-user
        password: x123XASD&1
        url: jdbc:mysql://servidor-em-algum-lugar-do-mundo/bancoDeDadosOficial
---
spring:
    profiles: development
    datasource:
        username: root
        password: 
        url: jdbc:mysql://localhost/bancoDeDados
---
spring:
    profiles: acceptence
    datasource:
        username: another-user
        password: 123accepteence
        url: jdbc:mysql://localhost/bancoDeDados

Em ambos os casos podemos utilizar o parâmetro -Dspring.profiles.active=“nome do profile” para selecionar qual profile queremos utilizar.

Um ponto a ser levado em consideração é que todas as informações estão expostas para quem tiver acesso ao repositório do projeto.

Então para minimizar esse problema podemos externalizar essas configurações em variáveis de ambientes. Com isso poderíamos ter um único arquivo de configuração.

Exemplo:

application.properties


spring.datasource.username=${DATABASE_USER}
spring.datasource.password=${DATA_BASE_PASSWORD}
spring.datasource.url=${DATA_BASE_URL}

Ou

application.yml


#isso indica um novo arquivo
--- 
spring:
    datasource:
        username: ${DATABASE_USER}
        password: ${DATA_BASE_PASSWORD}
        url: ${DATA_BASE_URL}

Para deixar mais flexível ainda podemos definir um valor default caso não exista a variável de ambiente. Para isso usamos a sintaxe ${VARIAVEL_DE_AMBIENTE:VALOR_DEFAULT}.

Dessa forma podemos deixar o valor default para o ambiente de desenvolvimento, e definir manualmente os valores para os ambientes de produção e homologação.

Exemplo:

application.properties


spring.datasource.username=${DATABASE_USER:root}
spring.datasource.password=${DATA_BASE_PASSWORD:}
spring.datasource.url=${DATA_BASE_URL:jdbc:mysql://localhost/bancoDeDados}

Ou

application.yml


#isso indica um novo arquivo
--- 
spring:
    datasource:
        username: ${DATABASE_USER:root}
        password: ${DATA_BASE_PASSWORD:}
        url: ${DATA_BASE_URL:jdbc:mysql://localhost/bancoDeDados}

Mas essa implementação nos leva a outro ponto: Alterar a maquina física para definir a variável de ambiente.

Quando pensamos em uma única aplicação, não parece doer tanto ter que alterar as variáveis de ambiente para que a aplicação funcione nos ambientes de produção e homologação.

Mas e quando estamos em uma arquitetura de microserviços, quantas variáveis de ambiente teremos que lembrar de preencher?

Nesse cenário é bem comum termos dezenas/centenas de aplicações rodando simultaneamente. E a quantidade de configurações que irá demandar para que nossa aplicação funcione, pode se tornar um problema quando temos que gerenciar tudo isso junto.

Para facilitar a gestão dessas configurações, podemos centralizar essas configurações e fazer com que nossa aplicação busque essas configurações quando for necessário ou ao inicia-la.

Essa técnica é chamada de Remote Configuration.

O Spring já tem um projeto específico para essa finalidade chamado Spring Cloud Config.

O Spring Cloud Config é um projeto dentro do guarda-chuva de projetos Spring Cloud. A ideia desse guarda-chuva de projetos é facilitar a utilização de Computação na nuvem e Arquitetura de Micro Serviços.


Entendendo como funciona o configuração remota

A ideia base desse projeto é centralizar todos os arquivos de configurações em um repositório GIT (para que seja possível versionar e gerenciar credenciais).

E teremos arquitetura cliente e servidor, onde o servidor irá se conectar ao repositório e irá servir as configurações.

O cliente, por sua vez, ao iniciar a aplicação irá solicitar ao servidor uma configuração. E com isso o cliente se auto-configura com base nos dados que o servidor configuração entregou.

Dessa forma, o cliente só precisa conhecer o servidor de configuração e nada mais.


Configurando o Servidor

Nosso servidor será uma aplicação com Spring Boot, só adicionaremos a dependência para o Spring Cloud Config.

Nosso pom.xml ficará assim:

<?xml version="1.0" encoding="UTF­8"?>
<project xmlns="http://maven.apache.org/POM/4.0.0 (http://maven.apach
    <modelVersion>4.0.0</modelVersion>
    <groupId>com.domineospring.cloud</groupId>
    <artifactId>config­server</artifactId>
    <version>1.0­SNAPSHOT</version>
    <packaging>pom</packaging>
    <properties>
        <maven.compiler.source>1.8</maven.compiler.source>
        <maven.compiler.target>1.8</maven.compiler.target>
        <project.build.sourceEncoding>UTF­8</project.build.sourceEnco
    </properties>
    <dependencyManagement>
        <dependencies>
            <!­­--Spring Boot ­­-->
            <dependency>
                <groupId>org.springframework.boot</groupId>
                <artifactId>spring­boot­dependencies</artifactId>
                <version>1.5.6.RELEASE</version>
                <type>pom</type>
                <scope>import</scope>
            </dependency>
            <!­­--Spring Cloud­­-->
            <dependency>
                <groupId>org.springframework.cloud</groupId>
                <artifactId>spring­cloud­dependencies</artifactId>
                <version>Edgware.RELEASE</version>
                <type>pom</type>
                <scope>import</scope>
            </dependency>
        </dependencies>
    </dependencyManagement>
    <dependencies>
        <dependency>
            <groupId>org.springframework.cloud</groupId>
            <artifactId>spring­cloud­config­server</artifactId>
        </dependency>
        <dependency>
            <groupId>org.springframework.boot</groupId>
            <artifactId>spring­boot­starter­web</artifactId>
        </dependency>
    </dependencies>
</project>

Nossa classe que irá iniciar o Spring Boot precisa ter a anotação @EnableConfigServer

@EnableConfigServer
@SpringBootApplication
public class Boot {

    public static void main(String[] args) {
        SpringApplication.run(Boot.class, args);
    }
}

Em nosso arquivo de configuração application.properties devemos definir onde está o repositório GIT. (No meu caso defini também a porta que ele irá subir, pois estou rodando tudo na mesma máquina.)

server.port=8001
spring.cloud.config.server.git.uri=https://github.com/feh-wilinando/spring-cloud-config-files

Pronto, terminamos de configurar o nosso Config Server.
Vamos dar uma olhada nesse repositório.


Repositório GIT para arquivos de configuração

Nesse repositório podemos ter vários arquivos de configurações (.properties ou .yml) com profiles e tudo que já conhecemos quando utilizamos Spring Boot.

O nome do arquivo deve ser o nome da aplicação que iremos configurar no cliente.

Caso seja um arquivo com a extensão .properties devemos seguir a mesma convenção de nome para o profile (nome da aplicaçãoprofile.properties).

Caso seja um arquivo com a extensão .yml podemos definir o(s) profile(s) dentro do próprio arquivo.(vide acima)

No repositório que configuramos temos dois arquivos:

cliente-development.properties


spring.datasource.username=root
spring.datasource.password=
spring.datasource.url=jdbc:mysql://localhost/bancoDeDados

cliente-prod.properties


spring.datasource.username=application-user
spring.datasource.password=x123XASD&1
spring.datasource.url=jdbc:mysql://localhost/bancoDeDadosOficial

Agora que entendemos o que deve ter no repositório, vamos configurar o nosso cliente.


Configurando o Cliente

As configurações do lado do cliente são bem semelhantes à do servidor. Teremos uma aplicação Spring Boot e adicionaremos a dependência do Spring Cloud Config

Nosso arquivo pom.xml ficará assim:

<?xml version="1.0" encoding="UTF­8"?>
<project xmlns="http://maven.apache.org/POM/4.0.0 (http://maven.apach
    <modelVersion>4.0.0</modelVersion>
    <groupId>com.domineospring.cloud</groupId>
    <artifactId>config­client</artifactId>
    <version>1.0­SNAPSHOT</version>
    <packaging>pom</packaging>
    <properties>
        <maven.compiler.source>1.8</maven.compiler.source>
        <maven.compiler.target>1.8</maven.compiler.target>
        <project.build.sourceEncoding>UTF­8</project.build.sourceEnco
    </properties>
    <dependencyManagement>
        <dependencies>
            <!--­­Spring Boot ­-->
            <dependency>
                <groupId>org.springframework.boot</groupId>
                <artifactId>spring­boot­dependencies</artifactId>
                <version>1.5.6.RELEASE</version>
                <type>pom</type>
                <scope>import</scope>
            </dependency>
            <!­­--Spring Cloud­­-->
            <dependency>
                <groupId>org.springframework.cloud</groupId>
                <artifactId>spring­cloud­dependencies</artifactId>
                <version>Edgware.RELEASE</version>
                <type>pom</type>
                <scope>import</scope>
            </dependency>
        </dependencies>
    </dependencyManagement>
    <dependencies>
        <dependency>
            <groupId>org.springframework.boot</groupId>
            <artifactId>spring­boot­starter­web</artifactId>
        </dependency>
        <dependency>
            <groupId>org.springframework.cloud</groupId>
            <artifactId>spring­cloud­config­client</artifactId>
        </dependency>
    </dependencies>
</project>

Nossa classe que iniciará a aplicação não precisa ter nada de especial:

package com.domineospring.cloud.client;

import org.springframework.boot.SpringApplication;
import org.springframework.boot.autoconfigure.SpringBootApplication;

@SpringBootApplication
public class Boot {

    public static void main(String[] args) {
        SpringApplication.run(Boot.class, args);
    }
}

Teremos um único controller que irá receber injetado os valores referente à configuração do datasource (que foi definida nos arquivos de configurações) e irá retornar-los no próprio body da response.

Para injetar os valores referente ao datasource vamos usar a anotação @Value.

package com.domineospring.cloud.client.controllers;

import org.springframework.beans.factory.annotation.Value;
import org.springframework.web.bind.annotation.GetMapping;
import org.springframework.web.bind.annotation.RestController;

import java.util.HashMap;
import java.util.Map;

@RestController
public class HomeController {

    @Value("${spring.datasource.username}")
    private String username;

    @Value("${spring.datasource.password}")
    private String password;

    @Value("${spring.datasource.url}")
    private String url;

    @GetMapping("/datasource")
    public String configurations(){

        Map<String, String> response = new HashMap<>();

        response.put("username", username);
        response.put("password", password);
        response.put("url", url);

        return response.toString();
    }

}

No arquivo application.properties vamos definir o nome da aplicação:


spring.application.name=client

Agora precisamos conectar a nossa aplicação cliente ao servidor de configuração.

Para isso, no nosso projeto teremos um arquivo bootstrap.properties ou bootstrap.yml. Esse arquivo é lido durante o processo de inicialização da aplicação, nele iremos indicar o endereço do servidor de configuração.

bootstrap.properties


spring.cloud.config.uri=http://localhost:8001

Podemos definir o profile da nossa aplicação para filtrar qual arquivo de configuração deve ser utilizado.

Uma prática comum é deixar essa configuração de profile ativo no arquivo bootstrap.properties.

Pois nele fica a configuração do endereço do Config Server. E como o servidor de configuração utiliza o profile para selecionar o arquivo corretamente, nada mais justo que essas configurações fiquem próximas.

Vamos definir o profile development também no nosso arquivo bootstrap.properteis.

bootstrap.properties


spring.cloud.config.uri=http://localhost:8001
spring.profiles.active=development

Pronto, nossas aplicações servidora e cliente estão pronta para serem usadas.
Basta iniciar a Config Server e depois inicializar nossa aplicação cliente.

Podemos utilizar o utilitário curl para fazer a requisição para a aplicação cliente e ver como resultado para cada ambiente.

curl http://localhost:8080/datasource

Com definimos o profile development veremos o seguinte resultado: {password=, url=jdbc:mysql://localhost/bancoDeDados, username=root} que são justamente os valores que definimos arquivo client-development.properties

Se alteramos para o profile production e utilizarmos novamente o curl para efetuar o request, veremos o seguinte resultado.

{password=x123XASD&1, url=jdbc:mysql://localhost/bancoDeDadosOficial, username=application-user}

E se não definirmos nenhum profile?

Nesse caso o Config Server vai procurar um arquivo que não tenha uma definição de profile. No nosso caso ele irá procurar um arquivo client.properties (se estivéssemos usando arquivo no formato yml ele iria procurar dentro do arquivo uma configuração que não estivesse atrelada a nenhum profile).

Como não temos esse arquivo isso causará um erro. As alternativas aqui são criar o arquivo sem profile no repositório com GIT ou deixar a configuração sem profile no próprio arquivo application.properties ou application.yml.

Agora nossas configurações ficam todas centralizadas no nosso repositório GIT.


Para saber mais:

Autenticação

Não precisamos de nenhum tipo de autenticação pois o repositório que estou utilizando no exemplo é público.

Porém se fosse um repositório privado precisaríamos informar ou usuário/senha ou chave ssh

Para usuário e senha precisamos definir também as seguintes configurações:

spring.cloud.config.server.git.username=seu-usuario-aqui
spring.cloud.config.server.git.password=sua-senha-aqui

No caso de usar chaves ssh temos duas opções a primeira (que é a padrão) é utilizar as configurações de ssh da maquina (que irá utilizar as configurações contidas em ~/.ssh e /etc/ssh).

Dessa forma não precisamos fazer nada via código ou configuração no projeto.

A segunda opção é manter as configuração no arquivo application.properties.

Para isso temos definir as seguintes configurações:

spring.cloud.config.server.git.ignoreLocalSshSettings=true #para não considerar configurações de ssh locais
spring.cloud.config.server.git.hostKey=seu-host-aqui
spring.cloud.config.server.git.hostKeyAlgorithm=ssh-rsa #algoritmo utilizado para gerar as chaves (ssh-dss, ssh-rsa, ecdsa-sha2-nistp256, ecdsa-sha2-nistp384 ,ecdsa-sha2-nistp521)
spring.cloud.config.server.git.privateKey= |
-----BEGIN RSA PRIVATE KEY-----                        
MIIEpgIBAAKCAQEAx4UbaDzY5xjW6hc9jwN0mX33XpTDVW9WqHp5AKaRbtAC3DqX                         
IXFMPgw3K45jxRb93f8tv9vL3rD9CUG1Gv4FM+o7ds7FRES5RTjv2RT/JVNJCoqF                         
ol8+ngLqRZCyBtQN7zYByWMRirPGoDUqdPYrj2yq+ObBBNhg5N+hOwKjjpzdj2Ud                         
1l7R+wxIqmJo1IYyy16xS8WsjyQuyC0lL456qkd5BDZ0Ag8j2X9H9D5220Ln7s9i                         
oezTipXipS7p7Jekf3Ywx6abJwOmB0rX79dV4qiNcGgzATnG1PkXxqt76VhcGa0W                         
DDVHEEYGbSQ6hIGSh0I7BQun0aLRZojfE3gqHQIDAQABAoIBAQCZmGrk8BK6tXCd                         
fY6yTiKxFzwb38IQP0ojIUWNrq0+9Xt+NsypviLHkXfXXCKKU4zUHeIGVRq5MN9b                         
BO56/RrcQHHOoJdUWuOV2qMqJvPUtC0CpGkD+valhfD75MxoXU7s3FK7yjxy3rsG                         
EmfA6tHV8/4a5umo5TqSd2YTm5B19AhRqiuUVI1wTB41DjULUGiMYrnYrhzQlVvj                         
5MjnKTlYu3V8PoYDfv1GmxPPh6vlpafXEeEYN8VB97e5x3DGHjZ5UrurAmTLTdO8                         
+AahyoKsIY612TkkQthJlt7FJAwnCGMgY6podzzvzICLFmmTXYiZ/28I4BX/mOSe                         
pZVnfRixAoGBAO6Uiwt40/PKs53mCEWngslSCsh9oGAaLTf/XdvMns5VmuyyAyKG                         
ti8Ol5wqBMi4GIUzjbgUvSUt+IowIrG3f5tN85wpjQ1UGVcpTnl5Qo9xaS1PFScQ                         
xrtWZ9eNj2TsIAMp/svJsyGG3OibxfnuAIpSXNQiJPwRlW3irzpGgVx/AoGBANYW                         
dnhshUcEHMJi3aXwR12OTDnaLoanVGLwLnkqLSYUZA7ZegpKq90UAuBdcEfgdpyi                         
PhKpeaeIiAaNnFo8m9aoTKr+7I6/uMTlwrVnfrsVTZv3orxjwQV20YIBCVRKD1uX                         
VhE0ozPZxwwKSPAFocpyWpGHGreGF1AIYBE9UBtjAoGBAI8bfPgJpyFyMiGBjO6z                         
FwlJc/xlFqDusrcHL7abW5qq0L4v3R+FrJw3ZYufzLTVcKfdj6GelwJJO+8wBm+R                         
gTKYJItEhT48duLIfTDyIpHGVm9+I1MGhh5zKuCqIhxIYr9jHloBB7kRm0rPvYY4                         
VAykcNgyDvtAVODP+4m6JvhjAoGBALbtTqErKN47V0+JJpapLnF0KxGrqeGIjIRV                         
cYA6V4WYGr7NeIfesecfOC356PyhgPfpcVyEztwlvwTKb3RzIT1TZN8fH4YBr6Ee                         
KTbTjefRFhVUjQqnucAvfGi29f+9oE3Ei9f7wA+H35ocF6JvTYUsHNMIO/3gZ38N                         
CPjyCMa9AoGBAMhsITNe3QcbsXAbdUR00dDsIFVROzyFJ2m40i4KCRM35bC/BIBs                         
q0TY3we+ERB40U8Z2BvU61QuwaunJ2+uGadHo58VSVdggqAo0BSkH58innKKt96J                         
69pcVH/4rmLbXdcmNYGm6iu+MlPQk4BUZknHSmVHIFdJ0EPupVaQ8RHT
-----END RSA PRIVATE KEY-----

Utilizando Labels

Além do nome da aplicação e profile, podemos utilizar labels para indicar ao servidor de configuração qual arquivo usar.

Com a label podemos definir qual a branch se encontra o nosso arquivo de configuração.

Em nosso repositório temos além da branch master a branch aws, com os mesmos arquivos:

cliente-development.properties na branch AWS


spring.datasource.username=aws-development
spring.datasource.password=aws-simple-password
spring.datasource.url=jdbc:mysql://aws-host/bancoDeDados

cliente-production.properties na branch AWS


spring.datasource.username=application-user
spring.datasource.password=x123XASD&1
spring.datasource.url=jdbc:mysql://localhost/bancoDeDadosOficial

Podemos definir a label também no arquivo bootstrap.properteis:

bootstrap.properties


spring.cloud.config.uri=http://localhost:8001
spring.profiles.active=production
spring.cloud.config.label=aws

Com isso, ao efetuar novamente a requisição via curl:

curl http://localhost:8080/datasource

Veremos no como resultado o texto {password=aws-x123XASD&1, url=jdbc:mysql://aws-host/bancoDeDadosOficial, username=aws-user}, pois está definido o profile production e a label aws.

Se definirmos o profile development e repetirmos o processo veremos como resultado o texto {password=aws-simple-password, url=jdbc:mysql://aws-host/bancoDeDados, username=aws-development}.

Ganhamos muita flexibilidade para gerenciar qual arquivo deve ser selecionado.

E aí o que achou do Spring Cloud Config?

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Spring Boot via DependencyManagement

Geralmente quando usamos Spring Boot com Maven temos uma declaração muito parecida com essa em nosso arquivo pom.xml:

<parent>
    <groupId>org.springframework.boot</groupId>
    <artifactId>spring-boot-starter-parent</artifactId>
    <version>1.5.6.RELEASE</version>
</parent>

Estamos herdando de outro arquivo pom.xml onde tem todas as dependências do Spring Boot declaradas com todas suas versões e etc.

Muitos projetos utilizam essa técnica de ter um projeto maven somente com o arquivo pom.xml  e nele todas as dependências declaradas para ser herdado em outros projetos, assim garantimos que não teremos dependências duplicadas ou em versões diferentes.

O que aconteceria se um projeto tem um pom.xml para ser herdado e queremos usar o Spring Boot? Aí deu ruim, pois não podemos ter duas declarações  no mesmo arquivo pom.xml.

Para resolver esse problema podemos usar o a tag dependencyManagement. Ela tem basicamente a mesma funcionalidade que a tag parent, ou seja ter um projeto com todas as dependências declaradas nele para serem usadas em outros projetos.

Nossa declaração no pom.xml ficaria assim:

<dependencyManagement>
        <dependencies>
            <dependency>
                <groupId>org.springframework.boot</groupId>
                <artifactId>spring-boot-dependencies</artifactId>
                <version>1.5.6.RELEASE</version>
                <type>pom</type>
                <scope>import</scope>
            </dependency>
        </dependencies>
</dependencyManagement>

Esse projeto com as dependências pode ser projeto maven com pom.xml ou war entre outros. Por isso precisamos especificar o tipo.

A vantagem do dependencyManagement é que podemos ter mais de uma dependência dentro da tag dependencies.

Dessa forma podemos usar o Spring Boot em e ainda assim ter um parent no nosso projeto.

Essa é só uma outra forma de utilizar o Spring Boot no nosso projeto.

Você já conhecia essa forma de utilizar? O que vocês acharam?

Feign uma forma simples para consumir serviços

Dificilmente uma aplicação “vive sozinha” e em algum momento pode surgir a necessidade de integrá-la com outras aplicações.

As necessidades podem ser diversas:

  • Consultar dados de um sistema legado
  • Retornar endereço a partir de um CEP
  • Efetuar pagamento online
  • Consultar o custo de envio de determinada mercadoria
  • Fazer autenticação através de alguma rede social ou qualquer

Hoje em dia muitas das integrações utilizam o modelo arquitetural REST, e não é uma tarefa muito difícil criar um cliente para consumir um serviço web.

Vamos usar como exemplo via cep, que é uma alternativa para pesquisar um endereço a partir de um CEP.

Para consumir o serviço este basta efetuar uma requisição GET no seguinte formato https://viacep.com.br/ws/NUMERO-DO-CEP/FORMATO. O formato pode ser: json,xml,piped,querty.

Se por exemplo efetuarmos uma requisição GET para https://viacep.com.br/ws/04101300/json, temos o seguinte retorno:

{
"cep": "04101-300",
"logradouro": "Rua Vergueiro",
"complemento": "de 2771 a 5049 – lado ímpar",
"bairro": "Vila Mariana",
"localidade": "São Paulo",
"uf": "SP",
"unidade": "",
"ibge": "3550308",
"gia": "1004"
}

Consumindo Serviço com RestTemplate

Para consumir um Web Service  no Spring podemos usar a classe RestTemplate que tem uma interface de uso bem simples.

Vamos criar uma aplicação com Spring Boot para consumir o serviço do via cep.

Vamos começar adicionando o parent do Spring Boot ao pom.xml:

    <parent>
        <groupId>org.springframework.boot</groupId>
        <artifactId>spring-boot-starter-parent</artifactId>
        <version>1.5.3.RELEASE</version>
    </parent>

E também o plugin para gerar o JAR auto-contido:

<build>
    <plugins>
       <plugin>
           <groupId>org.springframework.boot</groupId>
           <artifactId>spring-boot-maven-plugin</artifactId>
        </plugin>
    </plugins>
</build>

Para representar o retorno do Web Service vamos criar a classe Endereco

public class Endereco {

    private String cep;
    private String logradouro;
    private String complemento;
    private String bairro;
    private String localidade;
    private String uf;

    //getters 

    @Override
    public String toString() {
        return "Endereco{" +
                "cep='" + cep + '\'' +
                ", logradouro='" + logradouro + '\'' +
                ", complemento='" + complemento + '\'' +
                ", bairro='" + bairro + '\'' +
                ", localidade='" + localidade + '\'' +
                ", uf='" + uf + '\'' +
                '}';
    }
}

Agora vamos criar a classe que inicializa o contexto do Spring:

@SpringBootApplication
public class Application {
    public static void main(String[] args) {
        SpringApplication.run(Application.class, args);
    }
}

Vamos encapsular o código para consumir o serviço em uma classe ViaCepCleient


@Component
public class ViaCEPClient {

    public Endereco buscaEnderecoPor(String cep){
        RestTemplate template = new RestRemplate();
        return template.getForObject("https://viacep.com.br/ws/{cep}/json",Endereco.class, cep);
    }
}

Como a ideia do projeto é bem simples vamos rodar tudo a partir da classe Application. A ideia é pegar o cep na variável args e através do cliente (ViaCepClient) retornar o endereço e logar no console.

O Spring Boot disponibiliza uma interface chamada CommandLineRunner que tem a declaração do método void run(String… args) throws Exception;.

Quando temos no nosso classpath algum Bean que produza CommandLineRunner, o Spring Boot após a inicialização pega o que foi recebido no método main e repassa para esse Bean.

Dessa forma conseguimos separar o código de inicialização e o código que deve ser executado baseado nos argumentos que foi passado para o Spring Boot.

Vamos alterar nossa classe Application para que ela tenha um Bean para CommandLineRunner.

@SpringBootApplication
public class Application {

    public static void main(String[] args) {
        SpringApplication.run(Application.class, args);
    }

    @Bean
    public CommandLineRunner run(ViaCEPClient client){
        return args -> {
            if (args.length > 0) {
                String cep = args[0];

                Endereco endereco = client
                                     .buscaEnderecoPor(cep);

                System.out.println(endereco);
            }
        };
    }

}

Ao executarmos nossa classe Application com algum argumento veremos no console algo similar a isso:

Endereco{cep=’04101-300′, logradouro=’Rua Vergueiro’, complemento=’de 2771 a 5049 – lado ímpar’, bairro=’Vila Mariana’, localidade=’São Paulo’, uf=’SP’}

Consumindo serviço com Feign

Agora imagine em uma aplicação onde temos que consumir diversos serviços, ou em um arquitetura de micro serviços onde temos que nos integrar com diversos serviços para que a aplicação como um todo funcione. Pense em quantas vezes vamos ter que escrever um cliente usando o RestTemplate?

E geralmente se o programador teve que repetir uma tarefa mais de 3 vezes, ele automatiza essa tarefa de alguma forma.

Pensando nisso alguém teve a brilhante ideia de deixar ainda mais fácil a criação de clientes para consumir serviços. E então nasceu o projeto Feign.

O projeto Feign foi inspirado em: Retrofit, JAXRS-2.0, entre outras. Com ele podemos criar clientes de uma forma declarativa.

Então a galera do Spring incorporou o Feign dentro da sua própria stack. Mais especificamente abaixo do projeto Spring Cloud. Que é um projeto voltado para arquitetura de micro serviços, cloud e etc.

Vamos então migrar nosso cliente de RestTemplate para usar Feign. Primeiramente vamos adicionar as dependências do projeto Spring Cloud e do Feign.

O Spring Cloud segue a mesma linha do Spring Boot com as ideias dos Starters. Só que ao invés de usar um projeto base (parent) ele usa o conceito de dependências gerenciadas.

<dependencyManagement>
    <dependencies>
        <dependency>
            <groupId>org.springframework.cloud</groupId>
            <artifactId>spring-cloud-dependencies</artifactId>
            <version>Dalston.SR1</version>
            <type>pom</type>
            <scope>import</scope>
        </dependency>
    </dependencies>
</dependencyManagement>

Agora que temos o Spring Cloud no nosso projeto vamos adicionar a dependência do Feign

<dependency>
    <groupId>org.springframework.cloud</groupId>
    <artifactId>spring-cloud-starter-feign</artifactId>
</dependency>

Para habilitar o Feign no projeto vamos anotar a classe Application com @EnableFeignClients

@SpringBootApplication
@EnableFeignClients
public class Application {
    public static void main(String[] args) {
        SpringApplication.run(Application.class, args);
    }

    @Bean
    public CommandLineRunner run(ViaCEPClient client){
        return args -> {
            if (args.length > 0) {
                String cep = args[0];

                Endereco endereco = client.buscaEnderecoPor(cep);

                System.out.println(endereco);
            }
        };
    }
}

Como falei anteriormente com o Feign podemos criar clientes de uma forma declarativa. Ou seja só iremos declarar o cliente sem colocar nenhuma implementação.

Vamos começar convertendo nossa classe ViaCEPClient para uma interface (pois não queremos ter nenhuma implementação nela).

@Component
public interface ViaCEPClient {
    Endereco buscaEnderecoPor(String cep);
}

Vamos trocar a anotação @Component para @FeignClient e nela adicionar a URL do serviço.

@FeignClient(url="https://viacep.com.br/ws/")
public interface ViaCEPClient {
    Endereco buscaEnderecoPor(String cep);
}

Precisamos dizer qual o Endpoint o método Endereco buscaEnderecoPor(String cep); deve acessar.

Para isso vamos usar as anotações de mapeamento do Spring MVC:

  • @RequestMapping
  • @GetMapping
  • @PostMapping
  • @PutMapping
  • @DeleteMapping

Da mesma forma precisamos mapear os parâmetros:

    • @PathVariable
    • @RequestParam

.

@FeignClient(url="https://viacep.com.br/ws/")
public interface ViaCEPClient {

    @GetMapping("{cep}/json")
    Endereco buscaEnderecoPor(@PathVariable("cep") String cep);
}

Por ultimo o Feign pede que além da URL o nosso cliente de serviço tenha um nome (que nada mais é do que um identificador). Vamos adicionar o parâmetro name na anotação @FeignClient.

@FeignClient(url="https://viacep.com.br/ws/", name = "viacep")
public interface ViaCEPClient {

    @GetMapping("{cep}/json")
    Endereco buscaEnderecoPor(@PathVariable("cep") String cep);
}

Se rodarmos o código novamente teremos o mesmo resultado utilizando o RestTemplate. Com a diferença que o código real para consumir o serviço será gerado em tempo de execução. Ou seja nunca mais precisamos usar RestTemplate para gerar clientes.

E aí o que achou do Feign?

Spring Data Rest é vida

Fala aí galera, tudo bem? Meu nome é Fernando e sou instrutor e desenvolvedor na caelumalura.

Não é de hoje que o Spring vem facilitando nossa vida, e vamos combinar que os caras mandam muito bem!

Agora imagina só um mundo perfeito, onde declaramos nossas classes de modelo, repositórios e magicamente temos enpoints para fazermos todas as operações que declaramos nos nossos repositórios (por exemplo incluir, listar, alterar e remover).

Esse mundo perfeito existe e nele essa mágica se chama Spring data rest. Sim, ao utilizarmos ele só de declararmos nossos repositórios temos endpoints disponíveis.

Tá, legal saber que existe o Spring Data Rest.  Mas e como uso ele? (Show me the code!!!)

Bom galera eu montei um exemplo bem básico com Spring Boot Maven e está no meu Github. Nele você vai ver no arquivo pom.xml as seguintes declarações:

Spring Boot

<parent>
	<groupId>org.springframework.boot</groupId>
	<artifactId>spring-boot-starter-parent</artifactId>
	<version>1.4.2.RELEASE</version>
</parent>

E os staters do Spring Data e do Spring data Rest

<dependency>
	<groupId>org.springframework.boot</groupId>
	<artifactId>spring-boot-starter-data-rest</artifactId>
</dependency>

<dependency>
	<groupId>org.springframework.boot</groupId>
	<artifactId>spring-boot-starter-data-jpa</artifactId>
</dependency>

Além dos Starters tenho também o h2 como banco de dados em memória e o lombok.

<dependency>
	<groupId>com.h2database</groupId>
	<artifactId>h2</artifactId>
</dependency>

<dependency>
	<groupId>org.projectlombok</groupId>
	<artifactId>lombok</artifactId>
</dependency>

Para quem não conheçe o lombok, ele nos ajuda a escrever menos código repetitivo por exemplo: getter, setter, construtor, toString, equals/hashcode e etc...

Com ele anotamos nossos atributos com @Getter e/ou @Setter, anotamos nossa classe com @NoArgsConstructor ou @RequiredArgsConstructor, @AllArgsConstructor e ao compilarmos nosso código ele gera os byte-codes equivalentes.Vale a pena dar uma conferida!

No meu caso estou usando a anotação @Data (que engloba um monte dessas anotações) e @NoArgsConstructor (para ter um construtor sem parâmetros, por conta dos frameworks).

(OBS: Para rodar o projeto por dentro do IDE você precisa instalar o agent lombok, do contrário seu IDE não vai encontrar o getters, setters e afins.)

Em java temos duas classes de modelo Book e Author.

@Entity
@Data
@NoArgsConstructor
public class Author {

	@Id
	@GeneratedValue
	private Long id;

	@NotBlank
	private String name;

}
@Entity
@Data
@NoArgsConstructor
public class Book {

	@Id
	@GeneratedValue
	private Long id;

	@NotBlank
	private String title;

	@NotBlank
	private String description;

	@Min(50)
	private Integer numOfPages;

	@Valid
	@ManyToMany(fetch=FetchType.EAGER)
	private Set<Author> authors = new HashSet<>();

	public void add(Author author) {
		authors.add(author);
	}

}

Além do modelo tenho também um repositórios para cada, BookRepository e AuthorRepository

public interface BookRepository extends CrudRepository<Book, Long> {
}
public interface AuthorRepository extends CrudRepository<Author, Long>{
}

Para subir a aplicação tenho a classe Application que inicia o Spring Boot e salva um livro e um autor no banco de dados;

@SpringBootApplication
public class Application {

	public static void main(String[] args) throws Exception {
		SpringApplication.run(Application.class, args);
	}

	@Autowired
	private BookRepository bookRepository;

	@Autowired
	private AuthorRepository authorRepository;

	@PostConstruct
	@Transactional
	public void onLoad(){

		Author alberto = new Author();
		alberto.setName("Alberto");
		authorRepository.save(alberto);

		Book book = new Book();
		book.setTitle("Spring MVC");
		book.setDescription("Domine o principal framework web Java");
		book.setNumOfPages(237);

		book.add(alberto);

		bookRepository.save(book);

	}

}

E pronto! Temos uma endpoints para efetuarmos o CRUD de livros e autores. (Spring Data Rest é ou não é vida?)

Ao acessarmos http://localhost:8080, temos o seguinte retorno

{
"_links" : {
"authors" : {
"href" : "http://localhost:8080/authors&quot;
},
"books" : {
"href" : "http://localhost:8080/books&quot;
},
"profile" : {
"href" : "http://localhost:8080/profile&quot;
}
}
}

O Spring Data Rest usa fortemente os conceitos de HATEOAS que a grosso modo diz que através de um recurso disponível deve ser possível navegar pelo estado desse recurso através dos links. Por padrão o spring usa um modelo de apresentação chamado HAL para representação da resposta.

Bom os endpoints /authors e /books me parecem bem ok, o que deve ter neles, mas e o endpoint /profile?

Esse enpoint tem as meta-informações do seus serviços, por exemplo ao acessarmos http://localhost:8080/profile/authors temos o seguinte resultado

{
"alps":{
"version":"1.0",
"descriptors":[
{
"id":"author-representation",
"href":"http://localhost:8080/profile/authors&quot;,
"descriptors":[
{
"name":"name",
"type":"SEMANTIC"
}
]
},
{
"id":"create-authors",
"name":"authors",
"type":"UNSAFE",
"rt":"#author-representation"
},
{
"id":"get-authors",
"name":"authors",
"type":"SAFE",
"rt":"#author-representation"
},
{
"id":"patch-author",
"name":"author",
"type":"UNSAFE",
"rt":"#author-representation"
},
{
"id":"update-author",
"name":"author",
"type":"IDEMPOTENT",
"rt":"#author-representation"
},
{
"id":"get-author",
"name":"author",
"type":"SAFE",
"rt":"#author-representation"
},
{
"id":"delete-author",
"name":"author",
"type":"IDEMPOTENT",
"rt":"#author-representation"
}
]
}
}

Essas meta-informações estão associadas a qual representação temos no enpoint (no nosso caso)  authors e toda a definição dessa representação (os atributos e métodos). O endpoint profile é definido na RFC 6906.

Dentro da representação do author temos um objeto com id author-representation e nele temos um descritor com nome name e o tipo dele é SEMANTIC.
Esse tipo SEMANTIC indica um elemento que guarda um estado (atributo).

Além desse objeto temos um objeto com id create-authors, get-authors ou update-author ambos com nome author porém com tipos diferentes (nesse caso temos UNSAFE, SAFE e IDEMPOTENT). Esse objetos são as operações que podemos fazer sobre essa representação (methods).

Cada tipo tem um comportamento diferente:

SAFE – operações desse tipo são idempotentes e não alteram estado no servidor (GET, HEAD).

UNSAFE – operações desse tipo não são idempotentes e alteram estado no servidor (POST).

IDEMPOTENT – operações desse tipo são idempotentes e alteram estado no servidor (PUT, DELETE).

Uma operação é considerada idempotente se o resultado dele for bem sucedida indiferente do numero de vezes que ela for executada.

Agora sim, vamos para os endpoints mais “óbvieis“. Irei utilizar o programa curl para efetuar as chamadas para nosso endpoints.

Para listar nosso autores podemos efetuar a seguinte requisição:

curl -X GET http://localhost:8080/authors

(Deixei explicito o verbo GET somente por questões didáticas).

Nesse caso temos o seguinte resultado:

{
"_embedded" : {
"authors" : [ {
"name" : "Alberto",
"_links" : {
"self" : {
"href" : "http://localhost:8080/authors/1&quot;
},
"author" : {
"href" : "http://localhost:8080/authors/1&quot;
}
}]
},
"_links" : {
"self" : {
"href" : "http://localhost:8080/authors&quot;
},
"profile" : {
"href" : "http://localhost:8080/profile/authors&quot;
}
}
}

Nesse caso temos um autor com o nome Alberto e os links do autor levam ao recurso dele mesmo. E os links da representação como um todo levam a lista de autores ou ao profile de autores.

Vamos seguirmos o link para listar somente o autor Alberto.

curl -X GET http://localhost:8080/authors/1

E nesse caso temos o seguinte resultado:

{
"name" : "Alberto",
"_links" : {
"self" : {
"href" : "http://localhost:8080/authors/1&quot;
},
"author" : {
"href" : "http://localhost:8080/authors/1&quot;
}
}
}

E para criar um novo autor? bom para isso temos que usar o verbo POST.

curl -X POST -H "Content-type: application/json" -d '{"name": "Fernando"}' http://localhost:8080/authors

Agora temos dois autores, e para alterar? Fácil né, só usar outro verbo. Nesse caso o PATCH

 curl -X PATCH -H "Content-type: application/json" -d '{"name": "Fernando Willian"}' http://localhost:8080/authors/2

E para excluir vamos usar o verbo DELETE

curl -X DELETE http://localhost:8080/authors/2

Podemos usar as mesmas operações para os livros.

Para deixar um pouco mais interessante, vamos adicionar um pouco de segurança ao nossos endpoints.
Para isso vamos adicionar o starter do Spring Security no nosso arquivo pom.xml:

<dependency>
	<groupId>org.springframework.boot</groupId>
	<artifactId>spring-boot-starter-security</artifactId>
</dependency>

E vamos configurar como será nossa autenticação e quais os endereços que queremos proteger:

@Configuration
@EnableWebSecurity
public class SecurityConfiguration extends WebSecurityConfigurerAdapter{

	@Override
	protected void configure(AuthenticationManagerBuilder auth) throws Exception {
		auth.inMemoryAuthentication()
		.withUser("common").password("123").roles("USER").and()
		.withUser("admin").password("@dm1n").roles("ADMIN");
		
	}
	
	
	@Override
	protected void configure(HttpSecurity http) throws Exception {
		http
			.httpBasic()
			.and()
				.authorizeRequests()
					.antMatchers(HttpMethod.POST, "/**").hasRole("ADMIN")
					.antMatchers(HttpMethod.PATCH, "/**").hasRole("ADMIN")
					.antMatchers(HttpMethod.DELETE, "/**").hasRole("ADMIN")
				.and()
					.csrf()
						.disable();
	}
	
}

Nessa configuração temos que nos autenticar com uma conta com permissão de ADMIN para efetuar qualquer requisição com os verbos POST, PATCH e DELETE.

Agora para incluir um novo autor devemos nos autenticar:

curl -X POST -H "Content-type: application/json" -d '{"name": "Fernando"}' http://localhost:8080/authors -u admin:@dm1n

O mesmo se aplica para alteração ou exclusão.

E aí o que achou do Spring Data Rest? Já o conhecia?

SetupMyProject open source!

Um pouco depois do meio do ano passado, foi lançado o SetupMyProject. De lá para cá podemos dizer que ele tem caminhado bem, já temos mais de 5000 downloads dos mais variados tipos de projetos. A ideia do SetupMyProject é facilitar a criação de novos projetos Java usando alguns dos frameworks mais conhecidos, como:

  1. Spring e Spring MVC
  2. Spring Boot
  3. VRaptor 4
  4. JSF 2.2
  5. JAX-RS(RestEasy)

Como a aceitação tem sido muito boa, achamos que um bom próximo passo era deixá-lo open source, e foi justamente isso que fizemos. Ele está disponível no github e todo mundo está convidado para ver nossas gambiarras, acertos e, se possível, contribuir para deixarmos o projeto ainda melhor. Tentei deixar o readme o mais convidativo possível, para que você baixe e tente até rodar na sua máquina.

Outro ponto que é legal de comentar é sobre a arquitetura do projeto, não é nada de outro mundo, mas vou deixar aqui registrado.

  1. Linguagem : Java
  2. Framework MVC : Spring MVC
  3. Spring Boot para facilitar setup e utilização de plugins do Spring
  4. ORM : Hibernate(bem pouca coisa para ser sincero)
  5. Engine para geração dos projetos : JBoss Forge 2

Olhando as tecnologias, tirando o JBoss Forge, não tem nada fora do normal. Além disso, pensando em design de código mesmo, tem bastante coisa legal. Usamos o Design Pattern Command para abstrair os passos necessários para geração de um projeto, além de um grafo ordenado, roubado do VRaptor 3, para que um comando possa informar se deve ser executado antes ou depois de outro. Da uma olhada, acho que você pode gostar :).

Caso você já tenha usado o SetupMyProject, gostaria de te pedir um pequeno favor, vai lá no github e da aquela estrela para gente :). É um jeito de sabermos o quanto a comunidade gostou e também é uma forma de incentivo. Outro ponto importante, vamos adorar que o maior número possível de issues sejam abertas. Tem um projeto que gostaria de gerar, ou algum plugin a mais que você quer ver configurado na geração do setup, nos avise por lá :).

 

 

 

Spring 5 e Reactive programming parte 1

Antes que você continue a ler este post, preciso deixar um aviso, ainda estou formando a minha opinião sobre o real uso do conceito da programação reativa em nosso contexto de trabalho. Por mais que eu ache super importante saber as teorias, pelo menos para mim, elas não são tão relevantes se eu não consigo encaixar no meu dia a dia. Caso eu escreva alguma coisa que você não concorde, ficarei mais do que feliz de debater na parte dos comentários :).

Dada a condição que eu gosto de tentar aplicar as teorias nos projetos que eu participo, vamos pegar um exemplo real aqui. No meu tempo extra, tenho pego alguns projetos com Rasa, inclusive já mencionei ele num post anterior, e um desses projetos é um site que centraliza a venda de outros produtos.  Basicamente, no fluxo final da compra do usuário os seguintes passos são executados:

  1. Gravo um objeto que representa a compra do usuário no banco
  2. Faço uma requisição HTTP para o sistema do produto sendo comprado, avisando do novo usuário
  3. Mando um email para o usuário informando os dados de acesso para o produto que foi adquirido

Abaixo segue um exemplo de código invocado dentro do controller:

	@RequestMapping(value = "/confirma/{idCompra}")
	public String callbackPagseguro(
			@PathVariable("idCompra") String idCompra,
			@RequestParam("code") String notificationCode,
			HttpServletRequest request) {
		
		Compra compra = tentaAcharACompraPeloIdCustomizado(idCompra);
		
		customEnv.indicaAmbientePagSeguro();

		RespostaNotificacaoAssinatura resposta = customEnv.
			getRespostaNotificacaoTransacao(notificationCode);
		
		finalizaPagamento.finaliza(compra,resposta);
		

		return "redirect:/pagseguro/fim/"+compra.getTransacaoId();
	}

E aqui temos o nosso ponto a ser resolvido. Até a invocação do método no controller, o Spring tem o controle sobre tudo. Não precisamos nem ficar imaginando o que acontece lá dentro, mas sabemos que entre chegar um request no Servlet do Spring MVC e ele invocar o método correto no seu controller, muita coisa pode acontecer, seguem alguns passos.

  1. Descoberta do classe/método que deve ser invocado
  2. Conversão de parâmetros do request para os tipos esperados pelos parâmetros
  3. Execução da validação da entrada dos dados convertidos

Depois que seu método é invocado, ele ainda tem trabalho a fazer.

  1. Caso você não use o @ResponseBody, ele vai te jogar para a view em questão
  2. Caso você use o @ResponseBody no método, ele vai pegar o retorno e serializar, usando alguma biblioteca em questão, como o Jackson.

Todos esses passos são implementados do jeito que ele quiser. Atualmente a maioria deles, pelo menos eu acho, ocorre de forma serial. Tudo é executado em apenas um core do seu servidor, mesmo que ele tenha 4, 8 ou 16 núcleos. Além disso, tudo também é implementado de forma síncrona, com um passo sempre esperando o outro, antes do fluxo evoluir.

Essa vai ser uma das grandes mudanças na próxima versão do framework! Todo o core vai ser remodelado para que o framework possa tirar proveito da super infraestrutura provida pelos servidores. Execução de código em paralelo(já provido pelos parallel streams no Java 8), assíncrono, lazy etc. A ideia é que consigamos escalar o máximo nossa app dentro de uma máquina só!

Só que para sua aplicação tirar realmente proveito desse modelo, a ideia é que ela também seja escrita seguindo a mesma ideia. Para dar suporte a tudo isso, é que um dos alicerces da próxima versão do Spring vai ser o Project Reactor. Ele traz implementado as ideias de Reactive Programming e você vai ter que gastar um tempo para aprender, se quiser embarcar na aventura :P.

Agora eu vou tentar resumir ao máximo o princípio. A ideia é que tudo seja baseado em eventos, basicamente uma implementação de um Observer. Quem já conhece o pattern, talvez fique um pouco mais confortável. Vamos pegar o mesmo fluxo que tinha escrito lá em cima e fazer usando o novo modelo.

	@RequestMapping(value = "/confirma/{idCompra}")
	public Mono<ModelAndView> callBackPagseguro(@PathVariable("idCompra") 
			String idCompra,
			@RequestParam("code") String notificationCode, 
			HttpServletRequest request) {

		Mono<Compra> eventoBuscaCompra = 
			tentaAcharACompraPeloIdCustomizado(idCompra);
		
			
		Mono<Mono<NotificacaoLiberacao>> eventoNotificaLiberacao = 
			eventoBuscaCompra.map(c -> {
				customEnv.indicaAmbientePagSeguro();
				RespostaNotificacaoAssinatura resposta = customEnv
						.getRespostaNotificacaoTransacao(notificationCode);
				return finalizaPagamento.finaliza(c, resposta);
		});
		
		
		Mono<ModelAndView> eventoGeracaoModelAndView = eventoNotificaLiberacao.
			map(notificacao -> {
				return new ModelAndView("redirect:/pagseguro/fim/");			 
			});

		return eventoGeracaoModelAndView;
	}

Antes de entrar no detalhe da implementação, o que precisamos entender é o seguinte: quando o Spring MVC chamar nosso método, ainda não vamos executar nenhuma chamada para o banco de dados, nem para o outro sistema e muito menos mandar um email. Simplesmente criamos um fluxo de eventos que devem ser executadas nessa ordem e gerar o resultado esperado.

E quem vai executar? Esse é o pulo do gato, o framework! Sei lá se ele vai executar de maneira serial, paralela, síncrona ou assíncrona. Aqui você pode pensar do mesmo jeito que já pensamos em relação a chamada do Garbage Collector. Deixamos a JVM invocar ele, porque ela sabe qual é o melhor momento! Na apresentação do Spring One(instante 21:26) é comentado justamente isso, Reactive Programming não significa, necessariamente, executar tudo de maneira assíncrona, mesmo que o manifesto até passe essa ideia.

Para fechar, vamos olhar de novo o código para tentar entender como que isso foi implementado.

	@RequestMapping(value = "/confirma/{idCompra}")
	public Mono<ModelAndView> callBackPagseguro(@PathVariable("idCompra") 
			String idCompra,
			@RequestParam("code") String notificationCode, 
			HttpServletRequest request) {

		Mono<Compra> eventoBuscaCompra = 
			tentaAcharACompraPeloIdCustomizado(idCompra);
		
			
		Mono<Mono<NotificacaoLiberacao>> eventoNotificaLiberacao = 
			eventoBuscaCompra.map(c -> {
				customEnv.indicaAmbientePagSeguro();
				RespostaNotificacaoAssinatura resposta = customEnv
						.getRespostaNotificacaoTransacao(notificationCode);
				return finalizaPagamento.finaliza(c, resposta);
		});
		
		
		Mono<ModelAndView> eventoGeracaoModelAndView = eventoNotificaLiberacao.
			map(notificacao -> {
				return new ModelAndView("redirect:/pagseguro/fim/");			 
			});

		return eventoGeracaoModelAndView;
	}

Olhando com atenção, você vai perceber que o nome das minhas variáveis sempre tem a palavra evento. Como eu tinha dito, essa é a ideia. Precisamos criar vários eventos que, em algum momento do tratamento da requisição, vão ser executados. A classe Mono, representa a idea de um evento que gera(emite) apenas uma saída.

	public abstract class Mono<T> implements Publisher<T>,Backpressurable, 
	Introspectable,Completable {

	...

	}

Dentre as várias interfaces que ela implementa, está a Publisher<T>. Ela indica que determinado objeto é um produtor de eventos(sinais). Essa é uma das interfaces principais da especificação Reactor Streams. A ideia é que o tempo inteiro você esteja criando produtores de eventos. Aqui podemos dar um zoom em outro pedaço de código específico:

		Mono<Mono<NotificacaoLiberacao>> eventoNotificaLiberacao = 
			eventoBuscaCompra.map(c -> {
				customEnv.indicaAmbientePagSeguro();
				RespostaNotificacaoAssinatura resposta = customEnv
						.getRespostaNotificacaoTransacao(notificationCode);
				return finalizaPagamento.finaliza(c, resposta);
		});

Usamos o método map, tipicamente usado, nas aplicações tradicionais, para transformar coleções de um tipo para coleções de outro tipo. Só que pensando pelo lado funcional da coisa, a ideia é que o map seja uma função que recebe uma entrada X e retorna uma saída Y. No caso aqui vamos transformar um evento que gera uma compra em um evento de evento(Mono<Mono<…) que gera uma NotificacaoLiberacao.  Evento de evento? É o que? Quando temos uma sequência de produtores de eventos, dizemos que temos uma Flux! Para obter o Flux, podemos usar o flatMap :).

	Flux<NotificacaoLiberacao> eventosQueVaoGerarUmaNotificaco = 
		eventoBuscaCompra.flatMap(c -> {
			RespostaNotificacaoAssinatura resposta = customEnv
					.getRespostaNotificacaoTransacao(notificationCode);
			return finalizaPagamento.finaliza(c, resposta);
	});
	
	
	Flux<ModelAndView> eventosQueVaoGerarOModelAndView = 
		eventosQueVaoGerarUmaNotificaco.map(notificacao -> {
			return new ModelAndView("redirect:/pagseguro/fim/");			 
	});

Um outro exemplo de geração de Flux, que vai ficar para o próximo post, é quando você quiser retornar uma lista de objetos do seu DAO :).

Nesse ponto você pode estar pensando, já tem o produtor do evento, mas cadê o consumidor!? O seu pensamento não podia estar mais certo.

	Flux<ModelAndView> eventosQueVaoGerarOModelAndView = 
		eventosQueVaoGerarUmaNotificaco.map(notificacao -> {
			return new ModelAndView("redirect:/pagseguro/fim/");			 
	});
	
	ConsumerSubscriber<ModelAndView> consumer = 
		new ConsumerSubscriber<ModelAndView>();
	eventosQueVaoGerarOModelAndView.subscribe(consumer);

A classe ConsumerSubscriber é apenas uma das zilhares de implementações da interface Subscriber. Você pode associar quantos consumidores quiser, a um produtor de evento, exatamente do mesmo jeito que o Observer nos ensina. Inclusive o ConsumerSubscriber, possui um construtor para você passar os callbacks de tratamento dos eventos.

	public ConsumerSubscriber(Consumer<? super T> consumer,
			Consumer<? super Throwable> errorConsumer,
			Runnable completeConsumer) {
		this.consumer = consumer;
		this.errorConsumer = errorConsumer;
		this.completeConsumer = completeConsumer;
	}

Só que fique atento. Em geral, quando você tiver dentro do Spring 5, você não vai criar os subscribers, já que isso será trabalho do framework. Do mesmo jeito que hoje não é você que injeta as dependências nos seus objetos, e sim o container. Para fechar as interfaces importantes, quando você liga um interessado no evento(Subscriber) em um gerador de eventos(Publisher) você cria a chamada Subscription. 

Este post foi para tentar passar a ideia do novo modelo que muitos de nós teremos que lidar. Como disse no inicio, o meu entendimento ainda está em construção, o uso exagerado do método map até indica isso :).  Para facilitar o seu estudo, segue alguns links que eu usei.

  1. http://www.reactivemanifesto.org/
  2. https://www.youtube.com/watch?v=fec9nEIybp0&list=PLgGXSWYM2FpPuIFvbv6U_5cKLJB6PQbN4&index=35
  3. https://github.com/spring-projects/spring-reactive
  4. http://projectreactor.io/core/docs/reference/
  5. http://spring.io/blog/2016/02/09/reactive-spring
  6. https://github.com/reactor/lite-rx-api-hands-on

Nos próximos posts, eu vou tentar dar um zoom em outras partes do Project Reactor, além de associar com os casos de uso do nosso dia a dia. Apenas para fim de estudo, também criei um projeto no github que tenta demonstrar esse modelo de programação.

Como você disponibiliza os mesmos objetos para várias views?

Nos últimos tempos, no meu tempo extra, desenvolvi um sistema administrativo junto com um amigo meu de aulas na CaelumRasa Lariguet. Como vários destes sistemas, existem elementos dinâmicos que devem aparecer em toda santa tela que é carregada pela aplicação. No nosso caso, tínhamos que exibir sempre os últimos agendamentos e um calendário com o número de agendamentos para determinado dia. Abaixo segue um print:

componentes

Para fazer isso, uma das maneiras é adicionar esses objetos em todo request tratado pela aplicação.

	@Controller
	@RequestMapping("/cliente")
	public class ClienteController {

		@Autowired
		private ProximosServicos proximosServicos;
		@Autowired
		private CalendarioDia calendario;		
		
		@RequestMapping("/form")
		public ModelAndView form(Cliente cliente) {
			ModelAndView modelAndView = new ModelAndView("cliente/form-add");
			modelAndView.addAttribute("proximosServicos",proximosServicos);
			modelAndView.addAttribute("calendario",calendario);
			return modelAndView;

		}

		//outros métodos
	}

Como você já pode imaginar, essa solução ia ficar um pouco complicada. E se a gente precisasse colocar mais um objeto na tela? Teríamos que alterar diversos controllers! Um paliativo seria criar uma classe que faria esse trabalho para a gente.

	@Controller
	@RequestMapping("/cliente")
	public class ClienteController {

		@Autowired
		private ComponentesComunsViews componentes;
		
		@RequestMapping("/form")
		public ModelAndView form(Cliente cliente) {
			ModelAndView modelAndView = new ModelAndView("cliente/form-add");
			componentes.adicionaNaView(modelAndView);
			return modelAndView;

		}

		//outros métodos
	}

Mesmo assim, vamos ter que receber um objeto dessa classe injetado em todos os controllers e aí vamos ter que invocar um método nele para colocar tudo necessário no request. Uma segunda alternativa seria criar um interceptor. Dessa forma podemos interceptar todas as requisições, como se fosse um filtro de Servlet, e já disponibilizar esses objetos para a view.

Todas essas são formas são válidas, mas eu estou aqui para sugerir mais uma, que talvez você até já conheça. Ao invés de fazer com que todo controller ou que algum interceptor faça este trabalho, podemos simplesmente disponibilizar um objeto especializado em toda a view, de maneira automática! Vamos pegar especificamente o componente que busca os próximos serviços.

@Component
@Scope(scopeName = WebApplicationContext.SCOPE_REQUEST)
public class ProximosServicos {

	@Autowired
	private AgendamentoDao agendamentoDao;
	@Autowired
	private DataSolicitadaAgendmento dataSolicitada;

	public List<Agendamento> lista() {		
		List<Agendamento> agendamentos = agendamentoDao
				.buscaAgendamentosDoDiaAPartirDeUmHorario(dataSolicitada.get());
		return agendamentos;
	}
}

Na página, para listar os agendamentos, basta que a gente continue fazendo como já estava sendo feito.

  	<c:forEach var="agendamento" items="${proximosServicos.lista()}">
		...
	</c:forEach>

O único problema que falta resolver é: como que esse objeto foi parar na jsp? Para ensinar ao Spring MVC, basta que invoquemos mais um método na hora de configurar o nosso objeto do InternalResourceViewResolver. 

	@Bean
	public InternalResourceViewResolver internalResourceViewResolver() {
		InternalResourceViewResolver resolver = new InternalResourceViewResolver();
		resolver.setPrefix("/WEB-INF/views/");
		resolver.setSuffix(".jsp");
		//aqui faz a mágica
		resolver.setExposeContextBeansAsAttributes(true);
		return resolver;
	}

Pronto, o objeto do tipo ProximosServicos sempre vai estar disponível em qualquer página da sua aplicação. O método setExposeContextBeansAsAttributes, como o próprio nome informa, faz com que qualquer objeto gerenciado pelo Spring fique acessível nas páginas. Caso você ache que isso pode fazer com que a gente fique usando tudo que é objeto direto na jsp, fique tranquilo, você também pode usar o setExposedContextBeanNames e passar o nome do bean que deve ser disponibilizado.

Mesmo enxergando o perigo de um acesso indiscriminado aos objetos na view, eu gosto dessa abordagem e tenho usado em meus projetos. Acho que deixamos as classes mais coesas, tanto nos controllers quanto nos objetos específicos para a camada de visualização.

Chegou até o fim do post? Conta para mim o que você achou :). Baseado nas discussões, muitas vezes, já surge a ideia para um próximo!